Bahia exporta insumos e matéria prima, importando alimentos. Sem industrialização, não agrega valor à sua produção.
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Josias Menezes Neto
Diretor de Assuntos Econômicos e Financeiros do IAF Sindical
O Estado da Bahia reúne grandes potencialidades em produzir bens de consumo, vê despontar novas fronteiras na produção de alimentos, algodão, minérios e outras commodities. Até no semiárido, a exploração de farto lençol freático e crescente disponibilização de energia solar, tem possibilitado o cultivo tecnológico da pecuária e diversificadas lavouras. Contudo, convém implantar e ampliar o parque industrial para beneficiar e agregar valor a esses produtos.
ALGODÃO – Da safra nacional de aproximadamente 4 milhões de toneladas, cerca de 20% é produzida na região Oeste da Bahia e quase toda destinada à exportação. Com poucas unidades fabris na fiação e tecelagem, a exemplo da KASMED (fraldas e materiais hospitalares) em Bom Jesus da Lapa, SUDOTEX (camisas polo, malhas e fios de algodão) em Urandi e CIA VALENÇA INDUSTRIAL (tecelagem e fios de algodão) em Valença, convém atrair investimentos de porte para transformar nosso algodão em fios, tecidos e roupas.
CAFÉ – Quarto maior produtor nacional - 261 mil toneladas de café em 2015, nas variedades Conilon (Extremo Sul) e café arábica (Planalto e Oeste), a Bahia só beneficia café de alta qualidade na Chapada Diamantina e na região Sudoeste. Entretanto, nos supermercados, a só são encontradas marcas industrializadas em outros estados – MG, RN, Sergipe e São Paulo.
CACAU – Bahia e Pará disputam a liderança na produção de amêndoas. Apesar dos fabricos artesanais de chocolate, ainda falta indústria de médio ou grande porte que beneficie o coloque no mercado seu produto final. A pasta e manteiga de cacau é destinado à exportação. Porém, quase todo chocolate consumido internamente é fabricado em outros estados.
LARANJA – Quarto produtor nacional – 630 mil toneladas. Em sua maioria produzida no nordeste baiano, não produz o suco e todo excedente é processado em indústrias instaladas no vizinho estado de Sergipe, de onde é exportado ou direcionado ao mercado nordestino. A instalação de indústrias de sucos cítricos no nordeste baiano ampliaria empregos e renda.
CASTANHA DE CAJU – Quarto maior produtor nacional (atrás de CE, RN e Piauí), a Bahia é o maior produtor de castanha por extração. Toda produção é vendida para Ceará e Sergipe, onde é processada, com destino à exportação e mercado interno. Faltando o beneficiamento no próprio estado, a fim de agregar valor e melhorar a renda dos municípios envolvidos.
FEIJÃO – Com 175 milhões de toneladas produzidas em 2024 (6% da produção nacional), ainda importamos feijão para o consumo interno. O polo de Irecê, destaque na colheita do item básico na alimentação até o final do século XX, diante da instabilidade pluviométrica, procedeu substituição por lavouras mais adaptáveis a seu clima. Hoje importamos do Paraná.
OVOS – A crescente produção de ovos no Estado, em especial na região de Feira de Santana, alcançou 88,5 milhões de dúzias em 2024, insuficiente para atender o consumo interno.
LEITE – Em 2025 foram adquiridos 614,434 milhões de litros de leite de produtores por laticínios com algum tipo de inspeção sanitária, boa parte dos quais operam no Sul e Sudeste da Bahia. “Atualmente, a Bahia conta com 185 unidades de beneficiamento de leite, proporcionando aos consumidores o leite pasteurizado, leite UHT, queijos, manteiga, iogurtes e diversos outros derivados que fazem parte da alimentação diária da população”. Ainda assim, mais de 90% do leite em pó consumido é oriundo de outros estados.
FRANGO – A grande expansão das granjas avícolas, cuja produção desagua em estabelecimentos de abate e fornecimento de frango no mercado. Segundo a Associação Baiana de Avicultura (ABA) há tratativas junto à Seagri visando soluções de fortalecimento à avicultura baiana, via incentivos fiscais e financiamento para modernização das granjas e dos frigoríficos.
SUÍNOS – Com um rebanho estimado em 1 milhão de cabeças, o Estado está longe de atender as demandas de consumo de sua população. Além das indústrias instaladas em Vitória da Conquista e em Biritinga/Sátiro Dias, acham-se em expansão vários estabelecimentos em Casa Nova, no Oeste baiano e outros municípios, com apoio tecnológico da Seagri e fomento agrícola, caminhando para suprir a demanda da população.
BOVINOS DE CORTE – Com quantitativo estimado em 12.037 milhões de cabeças em 2025, o estado caminha para melhorar a qualidade dos pastos e do rebanho. Os frigoríficos de médio porte instalados em diversas áreas do território, a Bahia ainda precisa aperfeiçoar a qualidade técnica da criação e implantar projetos de grande porte para atender o mercado interno e criar excedentes para exportar. Na atualidade, ainda recebe carne bovina de Mato Grosso e outros estados para suprir as demandas locais de consumo.
Diante desse quadro, o Estado carece de empreendimentos que beneficiem esses produtos, visando consumo interno e excedentes exportáveis. Para tanto, o governo tem que investir em pesquisa e assistência técnica, e assegurar crédito para novos empreendimentos, o que proporcionará mais emprego, renda e qualidade de vida para a população baiana.
Fontes:
https://dclogisticsbrasil.com/o-que-cada-estado-brasileiro-mais-exporta/,
https://www.noticiasagricolas.com.br/notícias/granjeiros/414036-bahia-lidera-avicultura-no-nordeste-com-crescimento-de-16-3-em-ovos-e-152-milhoes-de-aves.html https://www.mercadodeterras.com.br/blog-artigo/producao-de-leite-na-bahia-cresce-e-movimenta-r-25-bilhoes-no-agro
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