O Anjo do Natal
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Certa vez, Jesus chamou um anjo e lhe disse:
— Meu bom anjo, quero que você seja o anjo do Natal. A partir de agora, seu nome será Natalino. Sua missão será levar a minha luz a todos os lares que comemorarem o meu nascimento.
O anjo perguntou:
— Mas por que eu, Senhor?
Jesus então respondeu:
— Porque me lembro daquele dia em que nasci em Belém, há dois mil anos, e você ficou de guarda junto à manjedoura onde eu estava, impedindo que qualquer coisa de ruim acontecesse.
O anjo então disse:
— Ah, como me lembro, Senhor! Lembro-me da alegria daqueles pastores quando eu e outros anjos anunciamos que o Senhor estava nascendo. Lembro-me do encantamento de sua mãe, Maria, ao olhar para o Senhor. Lembro-me de tantas coisas...
Na noite de Natal, Natalino partiu. Como voava à velocidade da luz, conseguiu visitar uma multidão de lares, tanto cristãos quanto não cristãos.
Visitou a África, a Europa, as Américas, a Ásia e a Oceania. Esteve em países ricos e pobres, em países capitalistas, comunistas e democráticos, e também em ditaduras. Esteve até na Coreia do Norte.
Em todos os lares onde entrava e onde se comemorava o nascimento de Jesus, por um segundo, tudo se iluminava, e as pessoas sentiam um calor diferente no coração. Sentiam também uma enorme sensação de paz.
Mas ninguém via o anjo. Ou melhor: algumas crianças pequenas conseguiam vê-lo, mas achavam aquilo tão natural que nem comentavam.
Depois que aquele momento passava, todos se perguntavam o que havia acontecido.
Nos lares onde ninguém pensava em Jesus e as pessoas só pensavam em Papai Noel e nos presentes, quase não se sentia a passagem do anjo. Havia apenas uma luzinha e um pequeno calor no coração.
No dia seguinte ao Natal, alguns jornais noticiaram aquela luz e aquele calor estranhos como sendo um fenômeno atmosférico inexplicável.
Depois de visitar todos aqueles lares, Natalino voltou e se apresentou a Jesus. Então, contou-lhe tudo o que havia vivido.
— Senhor, visitei muitos lares. A maioria deles era pobre, mas, em muitos desses lugares, encontrei amor. Também visitei lares miseráveis, onde não havia sequer comida. Em muitos outros, no entanto, não encontrei senão pensamentos voltados para as coisas materiais.
— Muitas pessoas só pensavam em comer e beber, Senhor! Encontrei muitas famílias reunidas, mas que haviam esquecido que era o seu aniversário. Tive vontade de gritar, de falar com elas, de lembrá-las da sua data, mas me lembrei de que a nós, anjos, não é permitido falar com os seres humanos, exceto em algumas ocasiões.
Natalino fez uma breve pausa e continuou:
— Estive também em lares onde as famílias estavam reunidas e faziam uma oração em sua lembrança. Havia várias crianças lindas. Eles se amavam e eu percebi que queriam também amá-lo cada vez mais.
— As crianças sabiam como fazer isso, Senhor. Mas os adultos haviam esquecido. Será que o Senhor pode dar um jeito?
Jesus então sorriu e disse:
— Não se preocupe, Natalino. Vou ver o que posso fazer.
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