Um fusquinha branco, com o logotipo da Sefaz

Hoje, já aposentado, quando trafegava pela Avenida Paralela, passou por mim um fusquinha branco, todo “serelepe”, não “respeitando” os demais carrões que por ali trafegavam. Pensei, de pronto: “Como é pequeno!”
Em princípio, admirei seu proprietário por manter aquela relíquia em tão bom estado de conservação e fiz questão de segui-lo por alguns quilômetros, constatando sua agilidade no trânsito, até que desviou para outra via.
Daí por diante, vieram-me à memória os grandes momentos vividos com um fusquinha branco, com o logotipo da Sefaz colado em suas portas laterais, o qual servia aos Auditores Fiscais em seus trabalhos pelas cidades do Recôncavo Baiano. Era lotado na Sefaz Santo Amaro/BA.
Às vezes, até cinco colegas, com um dirigindo, partiam pelas estradas do Recôncavo para realizar os trabalhos de intimações e arrecadação de livros e documentos contábeis para as fiscalizações mensais. Nessas viagens, que duraram oito anos, o fusquinha branco era sempre o protagonista, e muitas coisas inusitadas ocorreram e até acidentes, felizmente sem gravidade. Lembro-me, até hoje, de alguns desses acontecimentos, os quais fazem parte de minha vida.
Num deles, vindo de Cachoeira para Santo Amaro, com o “pé embaixo”, pois estava meio atrasado, fui perseguido pela Polícia Rodoviária. Inicialmente, como estava no fusquinha da Sefaz, pensei que não era comigo e segui normalmente o percurso, obrigando-os a soar a sirene. Olhando pelo retrovisor, verifiquei que era comigo, pois vi alguns acenos. Parei no acostamento e esperei que parassem atrás do fusquinha. Saltei e, diante da agressividade dos policiais, gritei que era Auditor Fiscal da Secretaria da Fazenda e, lógico, com a carteirinha na mão. Em seguida, um dos patrulheiros, com arma em punho, aproximou-se e apontou para uma das laterais do fusquinha. Simplesmente, o logotipo da Sefaz tinha se desprendido, e eu não tinha percebido. Felizmente, depois das desculpas e dos apertos de mão, eles disseram que já conheciam aquele fusquinha, apenas estranhando estar sem o logotipo. Esqueceram a velocidade em que eu vinha, liberaram-me, e pude prosseguir a viagem normalmente, providenciando, na Inspetoria, um novo logotipo.
Outro acontecimento digno de registro foi o acidente ocorrido na estrada, logo após um aguaceiro, quando o fusquinha, dirigido pelo colega Alírio, de saudosa memória, rodopiou, atravessou a pista, e fomos parar no acostamento do outro lado, perto de uma depressão no terreno (ribanceira). Além do colega que estava dirigindo, estávamos eu e mais dois colegas no fusquinha. Após o grande susto, com apenas pequenos arranhões, conseguimos colocar o fusquinha na pista e prosseguir a viagem. Demos sorte de não termos rolado ribanceira abaixo e, naquele momento, não haver nenhum carro vindo na outra pista. Não era o nosso dia. Coisa de Deus!
Relatando esses dois acontecimentos que ocorreram comigo durante os dias de trabalho em um fusquinha branco, vêm-me à mente outros colegas que, por esse imenso interior do Estado da Bahia, em estradas e rodovias muito mais perigosas, colocam suas vidas em risco em um fusquinha branco ou outro tipo de veículo, com o logotipo da Sefaz, para cumprir seu dever de bem fiscalizar e assegurar os recursos necessários ao desenvolvimento do Estado.
Para terminar, lembro-me do risco que corríamos naquele fusquinha e vem-me à mente, depois de tantos anos, a pergunta que um contribuinte da cidade de Governador Mangabeira fez a mim e a um colega, logo depois de ter recebido a intimação para ser fiscalizado, não sei se ameaçando ou nos alertando: “vocês não têm medo de nos fiscalizar num fusquinha, com tantos camimhões pesados trafegando por estas estradas?”
Tenho certeza de que outras histórias de outros colegas enriquecem ou enriquecerão o labor de todos os Auditores Fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia.
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