20/01/2026

IAF Sindical entrevista Geraldo Barros Rios

Desta vez, nossa série de entrevistas com associados aposentados nos conduz a Várzea da Roça, pequena cidade do interior da Bahia onde nasceu Geraldo Barros Rios. Sua trajetória é marcada pela superação desde cedo: começou a estudar mais tarde por questões de saúde, mas logo demonstrou uma sede de conhecimento que o acompanharia por toda a vida, revelando desde cedo, dedicação, esforço e um caminho guiado pela educação como instrumento de transformação.

IAF Sindical: Como foi a sua formação? (fale sobre o primário, secundário, superior, pós-graduação)
Geraldo:
Por conta de um problema de saúde ocular comecei a estudar muito tarde, aos 7 anos de idade. Como estava sedento de saber, concluí o ABC, Cartilha, 1º. Ano A e B em um único ano, fato absolutamente incomum para os padrões daquela Escola Municipal. 
Em 1970, vim morar em Feira de Santana; já havia concluído o então chamado 3º ano primário; mas, com medo de “fazer feio” na escola da “cidade grande”, minha mãe me matriculou no mesmo 3º ano. Após uma semana, a professora de minha classe chamou a diretora da escola e disse que seria um grande desperdício manter-me naquele nível; fui, então, submetido a uma prova de conhecimento e o resultado é que fui imediatamente transferido do 3º para o 5º ano primário. Cursei todo o 1º grau e o ensino médio em escola pública. Desde os 14 anos de idade, sempre trabalhei de dia (como comerciário) e estudei à noite.
Após preparação em curso pré-vestibular, fui aprovado para a Universidade Federal de Sergipe, curso de Engenharia Civil; concluí tal curso em tempo recorde – 4 anos – quando o tempo normal para quem não perder nenhuma disciplina é de 5 anos; imediatamente depois prestei concurso público e fui aprovado como professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana, onde ensinei, com muito prazer, por 35 anos, tendo sido um dos professores mais honrados daquele curso,  com o título de  Paraninfo ou Patrono ou Nome de Turma ou Amigo da Turma ou Professor Homenageado.
Durante esse período, fui selecionado para uma pós-graduação lato sensu na USP (Escola de Engenharia de São Carlos/SP), onde cursei Engenharia de Estruturas, com ênfases em Prédios Altos e Métodos Computacionais. Também fiz pós em Direito Tributário, em curso promovido pela SEFAZ/Ba em convênio com a UFBA, sob a coordenação de excelência do professor e colega Helcônio Almeida; e tive a grande honra de ter sido o orador da turma.

IAF Sindical: Como foi que você chegou ao cargo de Auditor Fiscal?
Geraldo:
Paralelamente ao magistério, abri um escritório de Projetos Estruturais de Engenharia e, posteriormente, uma Construtora. Desiludido após o período de turbulência econômica e de hiperinflação do final dos anos 80 e início dos anos 90, resolvi prestar concurso público, para cargo compatível com o de professor. Fui aprovado para a Secretaria do Tesouro Nacional/Ministério da Fazenda, como Analista de Finanças e Controle-AFC e fiz o curso preparatório (45 dias) na ESAF/DF (Escola Superior de Administração Fazendária); tomei posse e fui designado para servir no Ministério da Educação, no Distrito Federal; pedi exoneração logo em seguida, por ter sido aprovado em concurso do Banco do Brasil, onde assinei desistência voluntária por ter sido, ao mesmo tempo, aprovado como Analista Tributário da Receita Federal do Brasil (à época Técnico do Tesouro Nacional-TTN); exerci tal função por um ano na Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana; pedi exoneração por ter sido aprovado no concurso de 1993 para Auditor Fiscal da Sefaz/Ba; trabalhei, por 29 anos, com muito orgulho e muito zelo, na Infaz Cruz das Almas e na IFEP Norte, onde aposentei-me em julho de 2023.

IAF Sindical: Como foi a conciliação entre a vida de pai, esposo e auditor fiscal? Enfrentou muitos desafios na múltipla jornada?
Geraldo:
A família e a “vida espiritual” sempre foram minhas prioridades. As “carreiras” serviram como estribo das tais. Mesmo tendo que trabalhar invariavelmente cerca de 12 horas por dia, exceto finais de semana, nunca deixei de revezar com minha “fiel ajudadora” (termo bíblico honroso para esposa) nas idas e vindas para a escola do casal de filhos, ou ao colocá-los para dormir, embalados por uma canção ou uma historinha bíblica ou da minha infância, abraçados até eles dormirem. Hoje, os dois estudam na UFBA, em Salvador; estão no final dos cursos de Medicina (Geser) e de Engenharia Elétrica (Geiza).

Sempre fomos muito “grudados”: todos os anos, “veraneamos” em nossa casa de praia em Cacha Pregos, na ilha de Itaparica; sempre encontramos tempo para viajar juntos; conhecemos muitos pontos turísticos do Brasil e alguns países das Américas (Sul, Central e Norte) e da Europa. Estes são meus maiores prazeres, além de jogar dominó aos sábados com os amigos; outrora era bola e dominó.

IAF Sindical: O que mais te orgulha no período que você passou na SEFAZ?
Geraldo:
Muita coisa me orgulha na Sefaz. Os colegas são o principal motivo de orgulho: só trabalhei com gente boa, comprometida, proba, amiga; desde a “grande escola” na Infaz Cruz das Almas até a “pós-graduação” na Ifep Norte. Não posso deixar de narrar a “cereja do bolo” já no final de carreira: uma grande auditoria realizada em um dos maiores grupos de empresas  que atuam na Bahia; foi um feito a 4 mãos: eu e meu competentíssimo supervisor Jossimar (que ainda encontra tempo pra ser diretor do IAF), com o apoio de perto dos formidáveis Fernando e Wagner (meu inspetor e meu diretor); e no final da operação, sob o crivo de toda a alta cúpula da Sefaz; devido ao montante, tínhamos que nos prevenir quanto a possibilidade de uma demanda judicial e o fantasma da “sucumbência”; tudo isto resultou em um auto de infração com pagamento à vista e de um estorno imediato de créditos lançados e prontos para serem monetizados, além de estornos de créditos posteriores de alto valor. Destaque digno de nota é que em nenhum momento houve qualquer insinuação, por qualquer um da cadeia de comando da Sefaz, de que o auto deveria ser revisto. A preocupação sempre foi com a higidez da autuação. Registro que a alta cúpula da Sefaz é formada por pessoas decentes e competentes. Relato, também a oportunidade e o privilégio de discutir os aspectos técnicos dessa operação com os diretores Fred e Jorge Gonzaga, com o superintendente José Luiz, e com o Secretário da Fazenda Manoel Vitório. Não é à toa que esses homens ocupam os mais altos cargos na Sefaz há tanto tempo.

IAF Sindical: Você se tornou um “inativo” ou se dedica a outras atividades?
Geraldo:
Como esta entrevista ficou um tanto quanto extensa, e como não quero ser enfadonho, deixo de descrever as muitas atividades que tenho desenvolvido (só não ganho dinheiro com elas...rs). Um exemplo emblemático é o tempo que demorei para concretizar esta honrosa participação aqui, por falta de agenda principalmente. Resumiria minha vida de aposentado em uma palavra: Recomendo!

IAF Sindical: O que você gostaria de dizer que não foi perguntado?
Geraldo:
Como palavras finais, gostaria de dizer do privilégio de ter sido vice-diretor do IAF por dois mandatos consecutivos e de ter convivido com tantos colegas capazes, probos e comprometidos, em todas as áreas da Sefaz. Foi um presente de Deus tê-los conhecido, e uma inominada honra ter sido servidor da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia por 29 anos.

(*) Auditor Fiscal Aposentado e associado ao IAF Sindical.

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