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Ata da 136ª reunião do Copom

Sumário

Evolução recente da economia

Avaliação prospectiva das tendências da inflação

Implementação da política monetária

Inflação

Atividade econômica

Expectativas e sondagens

Mercado de trabalho

Crédito e inadimplência

Ambiente externo

Comércio exterior e reservas internacionais

Mercado monetário e operações de mercado aberto

Data: 22 e 23/07/2008

Local: Sala de reuniões do 8º andar (22/07) e do 20º (23/07) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil ? Brasília ? DF

Horário de início: 17h00 (22/07) e 16h30 (23/07)

Horário de término: 19h30 (22/07) e 19h00 (23/07)

Presentes:

Membros do Copom

Henrique de Campos Meirelles ? Presidente

Alexandre Antonio Tombini

Alvir Alberto Hoffmann

Anthero de Moraes Meirelles

Antonio Gustavo Matos do Vale

Maria Celina Berardinelli Arraes

Mário Gomes Torós

Mário Magalhães Carvalho Mesquita

Chefes de Departamento (presentes no dia 22)

Altamir Lopes ? Departamento Econômico

Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo ? Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 23)

Luiz Donizete Felício ? Departamento de Operações do Mercado Aberto

José Antonio Marciano ? Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos

Márcio Barreira de Ayrosa Moreira ? Departamento de Operações das Reservas Internacionais

Renato Jansson Rosek ? Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores

Demais participantes (presentes no dia 22)

Alexandre Pinheiro de Moraes Rego ? Assessor de Imprensa

Alexandre Pundek Rocha ? Assessor da Diretoria

Eduardo José Araújo Lima ? Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas

Flávio Pinheiro de Melo ? Consultor da Diretoria

Maria Goreth Miranda Almeida Paula ? Assessora Sênior da Gerência-Executiva de Estudos Especiais

Sergio Almeida de Souza Lima ? Secretário-Executivo

Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.

Evolução recente da economia

1. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou em maio e junho, para 0,79% e 0,74%, respectivamente, ante 0,55% em abril. Com isso, a inflação alcançou 3,64% no primeiro semestre de 2008 – a maior variação em seis meses desde maio de 2005 – ante 2,08% em igual período de 2007. Em doze meses, o IPCA continuou em aceleração. De fato, após atingir 5,04% em abril, a inflação se deslocou para 5,58% em maio e 6,06% em junho (3,69% no mesmo mês de 2007). Sob esse critério de comparação, a aceleração do nível de preços ao consumidor reflete essencialmente o comportamento dos preços livres, que subiram mais rapidamente do que os preços administrados e monitorados por contrato. Com efeito, o incremento dos preços livres e dos administrados alcançou, respectivamente, 7,98% e 1,77% em doze meses até junho, ante 4,10% e 2,78% até junho de 2007. Além disso, note-se que, a despeito da apreciação cambial observada, os preços de bens comercializáveis mostraram aceleração e variaram 7,78% em doze meses até junho (3,14% em junho de 2007). No que se refere aos itens não comercializáveis, em grande parte impulsionada pelo comportamento dos preços de alimentos in natura e de serviços, a inflação acumulada em doze meses foi ainda mais elevada (8,16%), evidenciando a influência de fatores domésticos sobre a dinâmica inflacionária. No caso dos serviços, por exemplo, a inflação, sob esse critério de comparação, se deslocou de 4,95% em junho de 2007 para 5,19% em dezembro e para 5,75% em junho de 2008. Dados preliminares para julho apontam para a continuidade de patamares elevados de inflação ao consumidor, ainda que com certa moderação na margem. Em síntese, desde o final de 2007, a inflação vem se afastando da trajetória das metas.

2. As três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central do Brasil têm evoluído em linha com o comportamento do índice pleno. Os núcleos por exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio, pelo critério de médias aparadas com suavização e por médias aparadas sem suavização deslocaram-se de 0,53%, 0,48% e 0,41% em abril, para 0,68%, 0,50% e 0,55% em maio e para 0,55%, 0,49% e 0,48% em junho, respectivamente. Assim como no caso do índice pleno, a inflação acumulada no primeiro semestre de 2008 pelas três medidas de núcleo exibiu sensível elevação frente às taxas verificadas no mesmo período de 2007, com deslocamentos de 2,02%, 1,86% e 1,63% para 3,26%, 2,52% e 2,64%, para o índice por exclusão, médias aparadas com e sem suavização, respectivamente. No que se refere ao acumulado em doze meses, o aumento da inflação plena tem sido acompanhado pelas três medidas de núcleo. Com efeito, o núcleo por exclusão continua a mostrar substancial elevação, deslocando-se de 4,66% em abril para 5,03% em maio e 5,37% em junho. O mesmo ocorreu com o núcleo por médias aparadas com suavização (4,36% em abril, 4,56% em maio e 4,72% em junho), ao passo que o núcleo por médias aparadas sem suavização avançou de 4,14% em abril para 4,39% em maio e para 4,65% em junho. Com isso, todas as medidas de núcleo encontram-se acima do valor central para a meta de inflação. Cabe destacar, adicionalmente, que o comportamento dos índices de difusão sugere aumento da disseminação do processo inflacionário, corroborando análise em Notas de reuniões anteriores do Comitê.

3. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços ? Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou de 1,12% em abril para 1,88% em maio e 1,89% em junho. No acumulado em doze meses, a variação do IGP-DI deslocou-se de 10,24% em abril para 12,14% em maio e 13,96% em junho, ante 3,96% em junho de 2007. Em doze meses até junho, o aumento da inflação medida pelo IGP-DI refletiu o comportamento de seus três principais componentes. O Índice de Preços ao Consumidor ? Brasil (IPC-Br) variou 5,96% (3,98% em junho de 2007), enquanto o Índice de Preços no Atacado ? Disponibilidade Interna (IPA-DI) teve incremento de 17,90% (3,76% em junho de 2007). Na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 9,13% (5,20% em junho de 2007). No que se refere especificamente ao IPA agrícola, a variação atingiu 37,91% (8,07% no acumulado em doze meses até junho de 2007). Cabe destacar, ainda, a continuidade das pressões altistas sobre os preços industriais no atacado, processo que teve início no segundo semestre de 2007 e que não dá sinais de acomodação. Os preços industriais no atacado tiveram elevação de 8,47% no primeiro semestre de 2008, ante 1,52% em igual período de 2007. Note-se, adicionalmente, que a inflação dos preços industriais no atacado, acumulada em doze meses, subiu de 4,42% em dezembro de 2007 para 11,58% em junho de 2008. Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.

4. Após a última reunião do Copom, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2008. Os dados mostraram a sustentação de taxas robustas de crescimento no primeiro trimestre de 2008, quer sob o critério da variação acumulada no ano (5,8%, ante 5,4% no quarto trimestre de 2007), quer no que se refere à comparação interanual (5,8%, ante 6,2% no trimestre anterior). Do ponto de vista da demanda agregada, continua chamando atenção o dinamismo da formação bruta de capital fixo, que cresceu 15,2% ante o primeiro trimestre de 2007. A expansão do consumo das famílias, que tende a ser menos volátil do que o investimento ao longo do ciclo, recuou de 8,6%, sob esse mesmo critério de comparação, no último trimestre de 2007 para ainda bastante robustos 6,6% no primeiro trimestre do corrente ano. Do lado da oferta agregada, tendo o primeiro trimestre de 2007 como base de comparação, foi destaque a elevação do produto industrial (6,9%), liderado pela indústria de transformação (crescimento de 7,3%) e pela construção civil (expansão de 8,8%).

5. A média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, avançou 0,1% em maio, após alta de 0,7% no mês anterior. Ainda considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês, após a expansão de 0,2% verificada em abril, a produção física da indústria recuou 0,5% em maio, em parte refletindo a distribuição de feriados atípica que vem sendo observada no corrente ano. Note-se, ainda, que a produção da indústria geral mostra crescimento de 6,2% no ano até maio, sendo 6,2% na indústria de transformação e 6,1% na extrativa. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial exibiu expansão de 2,4% em maio (mesmo com dois dias úteis a menos), sendo 2,1% na indústria de transformação e 7,2% na extrativa. Os dados já divulgados referentes aos últimos meses apontam, em suma, para a continuidade do ciclo de crescimento industrial, ainda que em ritmo mais moderado e condicionado por eventuais limitações à expansão da oferta.

6. Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital recuou 4,9% em maio, após alta de 1,0% em abril. No que se refere às demais categorias de uso, a produção de bens intermediários avançou 0,3%, a de bens de consumo duráveis recuou 1,3% e a de semi e não-duráveis teve alta de 1,3%. Em termos de expansão acumulada no ano, o setor de bens de capital lidera com 16,3%, seguido pelo setor de bens duráveis (13,7%). A despeito da forte queda ocorrida em maio, ainda não há evidências suficientes de inflexão no processo de expansão da produção de bens de capital, que tem decorrido, principalmente, da consolidação das perspectivas favoráveis à continuidade do crescimento da economia. Por sua vez, o dinamismo da produção de bens duráveis reflete, em grande parte, as condições de crédito, que permanecem mais favoráveis do que o padrão histórico. A existência de sinais apontando pressão sobre a disponibilidade de fatores de produção indica que a acomodação no ritmo de expansão da atividade industrial pode, em boa medida, ser atribuída às restrições da capacidade produtiva, às quais se soma o aumento da penetração de importações.

7. O mercado de trabalho permanece com desempenho bastante favorável. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) recuou de 8,5% em abril para 7,9% em maio. Com isso, a taxa média de desemprego nos primeiros cinco meses do ano foi 1,6 p.p. inferior à observada em igual período de 2007. Considerando dados dessazonalizados pelo Banco Central, a taxa de desemprego deslocou-se de 8,0% em abril para 7,6% em maio, o menor percentual da série histórica iniciada em 2002. Em maio, o rendimento médio real habitualmente recebido recuou 1,0% ante abril (elevação de 1,5% frente a maio de 2007). Nos primeiros cinco meses do ano, o rendimento médio real teve alta de 2,4%, enquanto o pessoal ocupado cresceu 3,9%. Em conseqüência, a expansão da massa salarial real atingiu 6,4% (expansão de 6,2% em maio, ante o mesmo mês de 2007), continuando a constituir fator-chave para o crescimento da demanda doméstica. Por sua vez, o emprego na indústria de transformação aumentou 0,2% em maio (ante 0,1% em abril e 0,2% em março), segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, o incremento do pessoal empregado atingiu 3,8%, com variação em doze meses alcançando 4,2%. Ainda sobre emprego, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam continuidade da forte expansão do emprego formal celetista neste ano, com a criação de 202,9 mil postos de trabalho em maio e de 309,4 mil em junho. O saldo de junho significou aumento de 48,9% sobre o recorde anterior para o mês, obtido em 2004 (207,9 mil postos), e de 2,5% sobre o recorde histórico observado em abril de 2007 (301,9 mil postos). No primeiro semestre, o saldo de empregos atingiu o máximo histórico de 1.361,4 mil contratações, evidenciando o aquecimento do mercado de trabalho. Dados dessazonalizados mostram crescimento de 0,7% no nível de emprego formal em junho, e dados observados apontam incremento de 5,8% em doze meses. O setor agrícola foi o que mais admitiu em junho, com a abertura de 92,6 mil postos, melhor desempenho da série para o mês, seguido pelo setor de serviços, com geração de 73,4 mil empregos, resultado também recorde para o período. Já a indústria de transformação abriu 52,2 mil postos, ante 27,8 mil no mesmo período do ano passado, enquanto o comércio abriu 48,2 mil vagas (28,2 mil em junho de 2007) e a construção civil criou 36,8 mil empregos (18,5 mil no mesmo mês de 2007). Além do processo de formalização, esses dados ressaltam o forte dinamismo da procura por mão-de-obra ? de fato, o nível de emprego formal acumula crescimento de 6,2% no ano.

8. Em linha com a evolução positiva do mercado de trabalho e com a expansão do crédito, o comércio varejista continua a registrar desempenho favorável e indica que o ritmo de crescimento da demanda doméstica se mantém robusto, sem mostrar sinais consistentes de arrefecimento. O volume de vendas do comércio varejista ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, cresceu 0,8% em maio, após altas de 1,4% em abril e de 1,3% em março. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve crescimento de 11,3%, acumulando 14,2% no ano. A média móvel trimestral do comércio varejista ampliado aumentou 1,2% entre maio e abril, representando o vigésimo quinto mês consecutivo de elevação do indicador. Na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal, destacam-se os setores de equipamentos e material para escritório (5,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,0%). No ano, o crescimento acumulado foi maior nos segmentos de equipamentos e material para escritório (28,8%), veículos e motos, partes e peças (21,4%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (20,4%). Note-se que, a despeito da elevação dos preços de alimentos, o segmento de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo mostra crescimento expressivo sob este critério de comparação (6,8%). O sólido desempenho do comércio varejista tem, portanto, refletido tanto o comportamento dos segmentos mais sensíveis à expansão da renda e do emprego quanto o daqueles mais sensíveis às condições de crédito. Para os próximos trimestres, a perspectiva é de continuidade do atual ciclo expansionista do comércio varejista, cujos fatores de propulsão continuarão a ser o crescimento dos níveis de emprego e da renda, a expansão do crédito e a manutenção da confiança do consumidor em níveis elevados. Indicadores setoriais, por exemplo, referentes a vendas de automóveis em junho, corroboram essa avaliação.

9. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu 82,7% em maio, apresentando recuo ante a taxa de 83,1% registrada em abril, segundo dados da CNI dessazonalizados pelo Banco Central. Desde março a série dessazonalizada pela própria CNI tem mostrado estabilidade em patamar ligeiramente inferior ao máximo histórico observado em novembro de 2007 (82,97%). Considerando a série sem ajuste sazonal, em maio o Nuci se situou próximo do patamar registrado no mesmo mês de 2007. Com isso, a taxa média dos primeiros cinco meses do ano foi 1,0 p.p. superior à observada em igual período de 2007. Por sua vez, o Nuci mensal sem ajuste sazonal, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), atingiu 86,4% em junho, mostrando forte elevação frente aos 84,7% observados no mesmo mês de 2007. Essa elevação das taxas de utilização da capacidade, na comparação inter-anual, também se verifica na indústria de material de construção (5,1 p.p.), bens de consumo (4,8 p.p.) e bens de capital (3,9 p.p.). Para bens intermediários, o Nuci situou-se 0,2 p.p. abaixo do nível de junho de 2007. A manutenção das taxas de utilização em patamares historicamente elevados manifesta-se em diversos setores e ocorre a despeito dos investimentos ocorridos no setor nos últimos doze meses. É fato que, em maio de 2008, dados ajustados sazonalmente indicaram queda de 3,1% na absorção de bens de capital, influenciada pela redução de 4,9% na produção de bens de capital, a despeito de as importações de bens de capital, favorecidas pelo fim da greve na Receita Federal, terem aumentado 12,6% em volume, No mesmo período, a produção de insumos para a construção civil registrou alta de 5,8%. Dado que no acumulado do ano a absorção de bens de capital apresentou sólido crescimento (18,8%), consubstanciado no vigoroso incremento das importações (34,0% em volume) e da produção de bens de capital (16,3%), parece ser prematuro considerar o último dado mensal de absorção como sinalização de tendência. No mesmo período, a produção de insumos para a construção civil aumentou 9,3%. Em suma, as evidências sugerem que, embora o investimento venha contribuindo para suavizar a tendência de elevação das taxas de utilização da capacidade, a maturação de projetos não tem, até o momento, sido suficiente para circunscrever de forma significativa os descompassos entre a evolução da oferta e da demanda doméstica. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento à demanda.

10. A balança comercial continua registrando perda de vigor na margem, tendência já antecipada e que está em consonância com avaliações expressas em Relatórios de Inflação e em Notas de reuniões anteriores do Copom. O saldo acumulado nos doze meses até junho totalizou US$30,8 bilhões (35,2% inferior ao verificado em junho de 2007). Esse resultado adveio de US$178,1 bilhões em exportações e US$147,3 bilhões em importações, com crescimentos de 18,7% e de 43,7%, respectivamente, em relação aos doze meses findos em junho de 2007. Como observado em Notas de reuniões anteriores, as importações vêm crescendo em ritmo mais acelerado do que as exportações, em razão tanto do fortalecimento do real como do maior nível de atividade econômica no país, a despeito das elevadas cotações de diversas commodities características da pauta exportadora brasileira. A redução dos superávits comerciais contribuiu para que o saldo em transações correntes registrasse déficit de US$15,2 bilhões em doze meses até maio de 2008, equivalente a 1,1% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até abril, a US$38,0 bilhões, equivalente a 2,8% do PIB.

11. No que se refere ao cenário externo, cabe notar que a economia mundial continua evidenciando pressões conflitantes. Por um lado, ainda que a atividade econômica tenha, em geral, se mostrado mais forte do que o antecipado na maioria dos países no primeiro semestre, o que em certos casos ensejou revisões positivas nas projeções de crescimento para o ano como um todo, os dados mais recentes apontam para sinais de enfraquecimento, especialmente nas economias maduras, tendência que deve continuar ao longo do segundo semestre. Por outro, a elevação dos preços de matérias primas, e as pressões da demanda aquecida sobre a capacidade de expansão da oferta, que são particularmente evidentes nas economias emergentes, têm levado à forte aceleração da inflação corrente, com conseqüências significativas, em diversos casos, sobre as expectativas inflacionárias. A esse quadro macroeconômico difícil soma-se, no caso dos Estados Unidos (EUA) e, em menor medida, da Europa, uma severa crise financeira. Nesse contexto, ainda que a existência de fortes pressões inflacionárias seja objeto de preocupação para a grande maioria das autoridades monetárias, as reações de política, visando conter a demanda, têm ocorrido de forma pouco sincronizada, situação que tende a persistir. Especificamente, a economia dos EUA entrou em período de estagnação desde o último trimestre de 2007, e continua sofrendo o impacto da crise no setor imobiliário, com efeitos sobre o mercado de trabalho, cujo enfraquecimento, em combinação com a elevação dos preços de derivados de petróleo, afeta a confiança dos consumidores, contribuindo de forma importante para deprimir o dispêndio. Ainda que a influência de estímulos monetários e fiscais possa limitar o risco de uma contração significativa da atividade, o cenário dominante continua apontando para uma recuperação mais consistente apenas a partir de 2009. Mesmo depois de um significativo reforço da base de capital de instituições financeiras relevantes, permanece a incerteza sobre a extensão e a amplitude dos desdobramentos da crise hipotecária americana sobre o sistema bancário nos EUA e na Europa, bem como quanto ao impacto que estes terão sobre as condições de acesso ao crédito por parte de empresas e famílias. A percepção de risco sistêmico voltou a aumentar nas últimas semanas, à medida que os problemas financeiros vêm sendo agravados por uma deterioração cíclica na qualidade do crédito, o que tende a reforçar a contração das condições financeiras e, por conseguinte, o risco de intensificação da desaceleração. A visão dominante parece ser que a atividade na Europa – a despeito de um desempenho melhor que o esperado nos meses iniciais do ano, ancorado na economia alemã – e no Japão também deve apresentar perda de dinamismo ao longo do segundo semestre. Nas economias centrais, portanto, as perspectivas para a adoção de políticas contracionistas parecem limitadas. Por outro lado, ainda que possa mostrar certa moderação na margem, o crescimento das economias emergentes continua forte e, até agora, aparentemente foi pouco afetado pela crise hipotecária nos EUA, constituindo contraponto aos efeitos da desaceleração das economias maduras. De fato, diante da pressão sobre a disponibilidade de fatores de produção, a elevação da inflação aponta para a continuidade de políticas de contração monetária nas economias emergentes. Nesse contexto, os indicadores de volatilidade e de aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais tiveram elevação considerável desde a última reunião deste Comitê. Não obstante, as políticas voltadas para reduzir a vulnerabilidade externa da economia têm se mostrado bem sucedidas, contribuindo para mitigar, mas não eliminar, os efeitos das dificuldades que caracterizam o cenário externo sobre a atividade econômica no Brasil, cujo dinamismo vem sendo sustentado essencialmente pela demanda doméstica.

12. O preço do petróleo, fonte sistemática de incerteza advinda do cenário internacional, continua altamente volátil e mantém patamares historicamente elevados. Esse comportamento reflete mudanças estruturais no mercado energético mundial, as quais têm impedido a recuperação dos níveis de estoques tradicionalmente observados, além de tensões geopolíticas recorrentes. A despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços domésticos da gasolina inalterados no restante de 2008, ainda que a probabilidade de se configurar um cenário alternativo seja relevante. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a elevação consistente dos preços internacionais do petróleo se transmite à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pela deterioração que termina produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos. Os preços de outras commodities, especialmente grãos, que mostraram elevação importante desde a última reunião do Copom, a despeito do maior pessimismo sobre as perspectivas para o crescimento da economia mundial, e da turbulência nos mercados financeiros globais, continuam, com poucas exceções, registrando altas no ano.

Avaliação prospectiva das tendências da inflação

13. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:

a) as projeções de reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão foram mantidas em 0% para o acumulado de 2008;

b) as projeções de reajustes das tarifas de energia elétrica e telefonia fixa permaneceram inalteradas, para o acumulado de 2008, em 1,1% e em 3,5%, respectivamente;

c) a projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2008 foi mantida em 4,0%. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,81% do total do IPCA de junho;

d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2009 foi alterada para 4,8%, ante os 4,5% utilizados na reunião de junho. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e

e) a trajetória estimada para o swap indica spread da taxa de swap de 360 dias sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 131 p.b. no quarto trimestre de 2008 e de 87 p.b. no último trimestre de 2009. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis.

14. Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de trabalho do cumprimento da meta legal de superávit primário de 3,8% do PIB em 2008 e em 2009, incrementada em 0,5 p.p. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.

15. Desde a última reunião do Copom, realizada em junho, houve considerável elevação na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2008, que passou de 5,48% para 6,53%. As expectativas para o intervalo de doze meses também se elevaram, de 5,01% para 5,44%, levando-se em conta a composição das medianas das taxas mensais esperadas pelos analistas. Para 2009, as expectativas de inflação também mostraram alta, se deslocando de 4,60% para 5,00%.

16. Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em R$1,60 e da taxa Selic em 12,25% em todo o horizonte de previsão, a projeção para a inflação em 2008 elevou-se significativamente em relação ao valor considerado na reunião do Copom de junho e permanece, portanto, acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2008 também sofreu forte elevação em relação ao valor considerado na última reunião do Copom e continua posicionada acima do valor central para a meta de inflação. Em relação a 2009, tanto as projeções associadas aos cenários de referência quanto aquelas associadas ao de mercado aumentaram em relação aos valores considerados na reunião de junho, e nos dois casos superam o valor central de 4,50% para a meta.

Implementação da política monetária

17. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Os dados referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de expansão da demanda doméstica continua bastante robusto e responde, ao menos parcialmente, pelas pressões inflacionárias que têm sido observadas no curto prazo, a despeito do forte crescimento das importações e do comportamento benigno do investimento. Mesmo no contexto de uma desaceleração moderada da economia mundial neste ano e da maior volatilidade que vem caracterizando os mercados globais desde meados de 2007, o Comitê acredita, com as informações disponíveis até o momento, que o balanço de pagamentos não deve apresentar risco iminente para o cenário inflacionário. Em linhas gerais, a influência do cenário externo sobre a trajetória prospectiva da inflação brasileira continua sujeita a efeitos contraditórios e envolta em considerável incerteza. Por um lado, a perspectiva de desaceleração possivelmente mais generalizada da atividade ao longo dos próximos meses aponta para uma acomodação tanto dos preços de commodities quanto da demanda externa. Por outro lado, a trajetória recente dos índices de preços, tanto em economias maduras quanto nas emergentes, evidencia a presença de descompassos entre o crescimento da oferta e da demanda, e, conseqüentemente, de riscos inflacionários significativos na economia mundial. Diante da deterioração das perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno segue se elevando. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados. Em particular, cabe à política monetária atuar para que impactos inicialmente localizados sobre os índices de inflação, parcialmente derivados de ajustes de preços relativos que ocorrem em escala global, não levem, por meio de uma piora das expectativas, a uma deterioração persistente da dinâmica inflacionária. O Comitê entende que a preservação da estabilidade monetária é condição necessária para que o sistema de preços relativos continue sinalizando eficientemente os ajustes necessários nos padrões de consumo e produção vigentes na economia.

18. O Copom considera que se elevou a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação, uma vez que o aquecimento da demanda doméstica e do mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de oferta setoriais, podem estar ensejando aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que as perspectivas para esse repasse, bem como para a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, dependem de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação, que mostraram elevação significativa nas últimas semanas e que continuam sendo monitoradas com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, embora o setor externo exerça alguma disciplina sobre a inflação no setor de transacionáveis, os preços das importações têm se elevado com intensidade. Além disso, o aquecimento da demanda doméstica pode desencadear pressões inflacionárias mais intensas no setor de não transacionáveis, por exemplo, nos preços dos serviços. Nesse contexto, o Copom conduzirá suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes. Para tanto, irá acompanhar atentamente a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo, assim como das expectativas de inflação dentro do horizonte de projeção, estando pronto a ajustar a postura de política monetária de forma a evitar a consolidação de um cenário no qual reajustes pontuais se transformem em reajustes persistentes ou generalizados de preços.

19. A manutenção de taxas de inflação consistentes com a trajetória de metas e a resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura contribuirão para a continuidade do processo de redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O Copom avalia que a persistência de uma atuação cautelosa e tempestiva da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que, mesmo diante de pressões inflacionárias em escala global, a inflação no Brasil volte a evoluir segundo a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade continue se traduzindo em resultados concretos, entretanto, é preciso que os indicadores prospectivos de inflação, em particular a evolução esperada da demanda e da oferta agregadas, convirjam ao longo do período relevante para a política monetária.

20. O Copom considera fundamental ressaltar, mais uma vez, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável.

21. Ao longo dos próximos meses, o crescimento do crédito, ainda que com alguma moderação, ocasionada pela elevação dos custos de captação, e a expansão da massa salarial real devem continuar impulsionando a atividade econômica. A esses fatores de sustentação da demanda devem ser acrescidos os efeitos das transferências governamentais esperadas para este e para os próximos trimestres, ainda que, conforme destacado na Nota da reunião anterior, em intensidade menor do que se antecipava anteriormente. Essas considerações se tornam ainda mais relevantes quando se levam em conta os nítidos sinais de demanda doméstica aquecida, a disseminação de pressões derivadas de ajustes de preços relativos, e o fato de que as decisões de política monetária terão impactos concentrados nos meses finais de 2008 e em 2009.

22. O Comitê assinala a importante contribuição do investimento para ampliar a capacidade produtiva. Note-se, adicionalmente, que uma possível acomodação dos preços de commodities, da qual surgiram evidências preliminares nas últimas semanas, poderia contribuir para evitar que as pressões inflacionárias se intensifiquem ainda mais. Entretanto, o Copom avalia que o ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelo crescimento da renda e do crédito, continua colocando riscos importantes para a dinâmica inflacionária. Nesse contexto, a redução pronta e consistente do descompasso entre o crescimento da oferta de bens e serviços e o da demanda continua sendo central na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.

23. A evidência internacional, bem como a experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, ao encurtamento dos horizontes de planejamento e, conseqüentemente, à redução do potencial de crescimento da economia, além de ter efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Além disso, nas atuais circunstâncias, existe o risco de que os agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade a que elevações da inflação sejam persistentes, o que implicaria redução da eficácia da política monetária. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa trazer a inflação de volta à meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN, tempestivamente, isto é, já em 2009. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.

24. O Copom avalia que, diante dos sinais de aquecimento da economia, como ilustram a aceleração dos preços no atacado e a trajetória dos núcleos de inflação, e da rápida elevação das expectativas de inflação, são relevantes os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas. De fato, a deterioração do cenário prospectivo se manifesta nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê. O Copom considera, também, que a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas vem exacerbando o risco para a dinâmica inflacionária. Nessas circunstâncias, a política monetária deve atuar vigorosamente, enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer, por meio do ajuste da taxa básica de juros, para, por um lado, reduzir tal descompasso e, por outro, evitar que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação.

25. Nesse contexto, avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13,00% ao ano, sem viés.

26. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. A demanda doméstica continua se expandindo a taxas robustas e sustenta o dinamismo da atividade econômica, inclusive em setores pouco expostos à competição externa, quando os efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda, ainda estão agindo sobre a economia. Por sua vez, a contribuição do setor externo para um cenário inflacionário favorável, diante do forte ritmo de expansão da demanda doméstica, e do crescimento das pressões inflacionárias globais, tornou-se menos efetiva, em um momento no qual os efeitos do investimento sobre a capacidade produtiva da economia ainda precisam se consolidar. Nesse ambiente, cabe à política monetária atuar de forma a evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos. Evidentemente, na eventualidade de se verificar alteração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.

27. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 9 de setembro de 2008, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 16.051, de 3/9/2007.

SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM

Inflação

28. O IPCA variou 0,74% em junho, apresentando desaceleração em relação aos resultados do IPCA-15 de junho e do IPCA de maio, 0,90% e 0,79%, respectivamente. Por sua vez, o grupo alimentação e bebidas, com variação de 2,11%, respondeu por 0,47 p.p. da taxa no mês, mostrando aceleração da tendência de alta em relação aos resultados de abril e maio. Os preços livres aumentaram 0,96% em junho, ante 1,02% no mês anterior, registrando-se elevações de 1,19% nos preços dos produtos comercializáveis e de 0,75% nos dos não comercializáveis. Os preços monitorados aumentaram 0,22%, ante 0,26% em maio. O índice de difusão atingiu 67,19% em junho, ante 71,35% em maio, com média de 63,67% em 2008. Em doze meses, o IPCA acumulou expansão de 6,06% em junho, ante 5,58% em maio, resultado de elevações de 7,98% nos preços livres e de 1,77% nos preços monitorados.

29. As taxas dos núcleos de inflação referentes ao IPCA registraram desaceleração no mês, mas apresentaram elevação em doze meses. O núcleo por exclusão (sem alimentos no domicílio e monitorados) variou 0,55% em junho ante 0,68% em maio, acumulando alta de 5,37% em doze meses, ante 5,03% no mês anterior. A variação do núcleo por médias aparadas sem suavização passou de 0,55% em maio para 0,48% em junho, e a variação em doze meses subiu de 4,39% para 4,65% no mesmo período. Pelo critério de médias aparadas com suavização, o núcleo alcançou 0,49% em junho, ante 0,50% em maio, totalizando alta de 4,72% em doze meses, ante 4,56% em maio.

30. O IGP-DI cresceu 1,89% em junho, ante 1,88% em maio, acumulando 13,96% em doze meses. Dos componentes do índice, apenas o IPA mostrou aceleração no mês, 2,29% ante 2,22% em maio, atingindo 17,90% em doze meses. O IPC-Br variou 0,77%, após alta de 0,87% em maio, acumulando elevação de 5,96% em doze meses. O INCC subiu 1,92% em junho, ante 2,02% no mês anterior, acumulando alta de 9,13% em doze meses.

31. A menor variação do IPC-M em junho refletiu, principalmente, a desaceleração na taxa dos grupos alimentação e saúde e cuidados pessoais, que apresentaram variações respectivas de 1,85% e 0,58%, ante 2,33% e 0,81% no mês anterior. O núcleo do IPC-Br variou 0,44%, repetindo o resultado de maio e acumulando elevação de 3,75% em doze meses.

32. O maior aumento do IPA, em junho, refletiu a alta mais expressiva dos preços agrícolas, enquanto os preços industriais mostraram desaceleração. O IPA-agrícola subiu 3,88%, ante 2,47% em maio, acumulando variação de 37,91% em doze meses. O IPA-industrial cresceu 1,69%, ante 2,13% em maio, totalizando 11,58% em doze meses. Por estágios de processamento, o IPA acusou aceleração na variação mensal de junho nos preços dos bens intermediários e das matérias-primas brutas, 2,59% e 3,33%, respectivamente, ante 2,32% e 2,96% no mês anterior, na mesma ordem. Os preços dos bens finais revelaram desaceleração, com alta de 0,99% em junho, ante 1,45% em maio. Em doze meses, ainda considerando o IPA por estágios de processamento, registraram-se elevações de 13,92%, 38,89% e 8,75%, respectivamente.

33. Resultados parciais de julho, apresentados pelo IGP-10 e pelo IPC-S, apontaram continuidade da desaceleração dos preços industriais no atacado, da construção civil e ao consumidor, particularmente da alimentação, enquanto os preços agrícolas no atacado mostraram nova pressão altista, influenciados pelos itens soja, bovinos e milho.

Atividade econômica

34. De acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas varejistas aumentou 0,6% em maio, em relação ao mês anterior. Considerado o conceito ampliado, que incorpora os segmentos de material de construção e veículos e motos, partes e peças, o acréscimo na comparação mensal atingiu 0,8%. Sete dos dez segmentos pesquisados pelo IBGE registraram elevações, destacando-se as de 5,1% nas vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, de 2% nas de outros artigos de uso pessoal e doméstico, e de 1,1% nas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. As vendas de tecidos, vestuário e calçados recuaram 1% e as de veículos permaneceram estáveis no mês.

35. Considerando-se as comparações entre idênticos períodos de 2008 e 2007, o acréscimo nas vendas atingiu 11,3% em maio, no conceito ampliado, acumulando 14,2% no ano. Houve crescimento generalizado em todos os segmentos nessas duas formas de comparação, com ênfase naqueles mais diretamente influenciados pela oferta de crédito, como equipamentos e material para escritório, informática e comunicação; veículos, motos, partes e peças; e móveis e eletrodomésticos.

36. Segundo dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referentes à capital paulista e dessazonalizados pelo Banco Central, as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e aquelas direcionadas ao Usecheque aumentaram 0,6% e 0,3%, respectivamente, em junho, em relação ao mês anterior. Na comparação com o primeiro semestre de 2007, registraram-se altas respectivas de 7,3% e de 6,6%.

37. Quanto aos indicadores de investimento, a produção interna de bens de capital recuou 4,9%, enquanto a produção de insumos para a construção civil cresceu 5,8% em maio, comparativamente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Na comparação com maio de 2007, esses indicadores cresceram 5,8% e 6,4%, respectivamente. Relativamente à produção de bens de capital, a queda na comparação com abril esteve relacionada ao comportamento dos subsetores seriados para fins industriais, equipamentos de transporte e bens de uso misto. Em relação a maio de 2007, a evolução positiva refletiu, principalmente, a expansão dos segmentos de máquinas agrícolas, 24,1%, e de equipamentos para transportes, 11,2%.

38. As importações de bens de capital cresceram 12,2% em maio, em relação a abril, de acordo com dados de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados pelo Banco Central. Essas compras, ratificando a trajetória expansionista dos investimentos na economia brasileira, elevaram-se 35,3% em relação a maio de 2007.

39. Indicadores da CNI referentes a maio, dessazonalizados pelo Banco Central, apontaram recuo da atividade industrial em relação a abril, com quedas de 1% e 0,6% no faturamento real e nas horas trabalhadas na produção, respectivamente. Em comparação a maio e aos primeiros cinco meses de 2007, o faturamento real aumentou 5,3% e 7,9%, respectivamente, e as horas trabalhadas na produção, 2,7% e 5,8%, na mesma ordem. O Nuci atingiu 82,7% em maio, 0,4 p.p. abaixo do nível de abril, considerados dados dessazonalizados, e manteve-se praticamente estável na comparação com maio de 2007, em 83,2%.

40. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção física da indústria registrou queda de 0,5% em maio, na série dessazonalizada, comparativamente a abril. Dezesseis das vinte e sete atividades pesquisadas registraram recuo da produção física no mês, enquanto por categorias de uso, destacaram-se as quedas de 4,9% em bens de capital, após quatro meses seguidos em ascensão, e de 1,3% em bens de consumo duráveis. A produção de bens intermediários aumentou 0,3% e a de bens de consumo semi e não-duráveis, 1,3%. Em comparação com o mesmo mês de 2007, houve aumento da produção em todas as categorias de uso em maio, mas as taxas de expansão foram bem inferiores às dos meses anteriores, principalmente pela ocorrência de dois dias úteis a menos em maio deste ano ante maio de 2007. Nos primeiros cinco meses de 2008, comparativamente a igual período do ano anterior, a produção industrial cresceu 6,2%, destacando-se as taxas de crescimento em bens de capital e bens de consumo duráveis, 16,3% e 13,7%, respectivamente. No mesmo período, os acréscimos nas produções de bens intermediários e de bens de consumo semi e não-duráveis alcançaram 5,2% e 1,8%, na ordem. Considerando a expansão da atividade industrial em períodos de doze meses, a taxa de expansão passou de 6,9% em abril para 6,7% em maio, denotando ligeira desaceleração na margem, em parte pelo fato de que este ano o feriado de Corpus Christi ocorreu em maio e não em junho, como nos últimos dois anos.

41. A produção de autoveículos atingiu 303,8 mil unidades em junho, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), elevando-se 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Considerando dados dessazonalizados, a produção do setor ficou estável em relação a maio, com acréscimo de 1,8% na produção de caminhões e quedas nos segmentos de ônibus e automóveis, respectivamente. A produção de máquinas agrícolas aumentou 12,3% na mesma base de comparação. No primeiro semestre de 2008, a produção de autoveículos aumentou 22% e a de máquinas agrícolas, 38,7%, comparativamente ao primeiro semestre de 2007. No mesmo período, as vendas totais de autoveículos cresceram 20,3%, com expansão de 28,1% nas vendas internas e recuo de 0,7% nas exportações.

42. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado em junho pelo IBGE, a área plantada em 2008 deverá atingir 47,1 milhões de hectares, 3,9% superior à de 2007. A safra de grãos foi estimada em 143,6 milhões de toneladas, 7,9% superior à do ano anterior. Esse resultado incorpora aumentos de 11% na produção de arroz, 10,7% na de milho e 3,2% na de soja, culturas que respondem, conjuntamente, por cerca de 90% da produção de grãos e ocupam 82% da área plantada. O LSPA estimou ainda acréscimos de 14% na produção de cana-de-açúcar, com expansão de 13% na área plantada, e de 27,3% na produção de café, efeito da recuperação cíclica bianual da produtividade.

Expectativas e sondagens

43. A pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) registrou recuo de 8% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em julho, em relação ao mês anterior, resultado de retrações de 7,9% no Índice das Condições Econômicas Atuais (Icea) e de 8% no Índice de Expectativas do Consumidor (IEC). O ICC elevou-se 0,9% em relação a julho de 2007, traduzindo expansões de 1,7% no IEC e retração de 0,2% no Icea.

44. A Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV registrou recuo de 6,5% no ICC em junho, em relação ao mês anterior. Tanto as avaliações sobre a situação atual quanto as expectativas em relação aos próximos meses tornaram-se desfavoráveis em relação ao registrado observado no mês anterior, com quedas respectivas de 6,3% e de 6,6%. Em relação aos índices de junho de 2007, a Sondagem registrou quedas de 1,7% no ICC e de 6% no Índice das Expectativas, enquanto o Índice da Situação Atual revelou expansão de 6,6%.

45. Ainda segundo a FGV, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu 121,8 pontos em junho ante 119,9 em maio. O indicador situou-se 3,5 p.p. acima do nível registrado em igual mês de 2007, refletindo as elevações de 3,7 p.p. no componente relativo à situação atual e de 3,4 p.p. no componente relativo às expectativas.

46. Conforme a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pela FGV, o Nuci atingiu 86,4% em junho deste ano, superando em 0,8 p.p. o registrado no mês anterior, com destaque para o acréscimo de 1,9 p.p. observado no segmento bens de capital, que alcançou 89,4%. Em relação a junho de 2007, a elevação do Nuci situou-se em 1,7 p.p., com aumentos de 5,1 p.p. em materiais de construção, 4,8 p.p. em bens de consumo e 3,9 p.p. em bens de capital, enquanto o segmento de bens intermediários registrou recuo de 0,2 p.p.

Mercado de trabalho

47. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criados 309,4 mil postos de trabalho formais em junho de 2008, acumulando 1.361,4 mil novos empregos no primeiro semestre do ano. Os dados dessazonalizados indicaram crescimento mensal de 0,7% no nível de emprego, com aumento em todos os setores, destacando-se a construção civil, com taxa de expansão de 1,3%, e a agropecuária, pelo número de vagas criadas no mês, 92,6 mil.

48. Conforme a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de desemprego aberto atingiu 7,9% da População Economicamente Ativa (PEA), em maio, ante 8,5% no mês anterior e 10,1% em maio de 2007. O recuo da taxa de desemprego de abril para maio refletiu o aumento de 89 mil trabalhadores ocupados e a redução de 60 mil trabalhadores que se retiraram do mercado de trabalho. Em relação a maio do ano passado, a ocupação cresceu 4,6%, enquanto a PEA aumentou 2,1%. Considerando o contingente de pessoal ocupado por posição na ocupação, o número de trabalhadores do setor privado aumentou 0,4% de abril para maio, representando 53 mil postos de trabalho, a maior parte (45 mil) em empregos sem carteira. O número de trabalhadores por conta própria cresceu 0,45%, enquanto o número de empregadores diminuiu 3,1%. Em relação a maio de 2007, os trabalhadores com carteira no setor privado lideraram o crescimento da ocupação, com alta de 9,5%, os empregadores e os trabalhadores por conta própria aumentaram 4,3% e 0,6%, respectivamente, enquanto o número de empregados sem carteira recuou 0,9%.

49. De acordo com a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas diminuiu 1% em maio, em relação a abril, e aumentou 2,4% no ano, mantendo alta de 1,5%, comparativamente a maio de 2007. A massa salarial real recuou 0,5% em maio ante o mês anterior e cresceu 6,4% no ano, situando-se 6,2% acima da verificada em maio de 2007.

50. O contingente de pessoal empregado na indústria aumentou 0,2% em maio, na comparação com abril, conforme estatísticas da CNI dessazonalizadas pelo Banco Central. Na comparação com maio de 2007, o pessoal empregado e a massa salarial real paga pelo setor industrial cresceram 3,8% e 4%, respectivamente. Nos primeiros cinco meses de 2008, observaram-se acréscimos de 4,5% no pessoal empregado e de 5,6% na massa salarial real paga pelo setor industrial, ante mesmo período de 2007.

Crédito e inadimplência

51. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro cresceu 2,6% em maio, acumulando expansão de 32,4% em doze meses. Consideradas as mesmas bases de comparação, as operações com recursos livres cresceram 2,9% e 36,1%, respectivamente, e as realizadas com recursos direcionados, 1,9% e 24%. Entre as operações de crédito com recursos livres, registre-se a manutenção do dinamismo das operações de arrendamento mercantil, cujos saldos contratados nos segmentos de pessoas físicas e pessoas jurídicas elevaram-se, na ordem, 128,6% e 86,9%, em doze meses. Entre as operações com recursos direcionados, assinalem-se, na mesma base de comparação, as expansões nos créditos destinados à habitação, 26,5%, e ao setor rural, 21,9%. Considerada a segmentação por atividade econômica, o saldo dos empréstimos à indústria registrou, em maio, aumentos de 1,6% em relação a abril e de 38,2% em doze meses.

52. A taxa média de juros ativa incidente sobre as operações de crédito referenciais atingiu 37,6% a.a. em maio, ante 37,4% a.a. em abril e 37,2% a.a. em maio do ano anterior. As taxas médias situaram-se em 47,4% a.a. nas operações com pessoas físicas e em 26,9% a.a. nos empréstimos contratados com pessoas jurídicas, comparativamente a 48,4% e 24,3%, respectivamente, em maio de 2007.

53. O prazo médio das operações de crédito referenciais situou-se em 370 dias em maio, mantendo-se praticamente estável desde janeiro, quando superou, pela primeira vez, a marca de um ano. Nas operações com pessoas jurídicas, o prazo médio atingiu 299 dias, enquanto nas operações realizadas com pessoas físicas, 457 dias, ante 252 dias e 398 dias, respectivamente, em maio de 2007.

54. A taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 4,2% em maio, recuando 0,6 p.p. em relação ao mês correspondente de 2007. Por segmentos, as taxas relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas atingiram, na ordem, 1,8% e 7,3%, comparativamente a 2,6% e 7,2% em maio de 2007.

55. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, atingiu 5,7% em junho, ante 5,1% no mesmo mês do ano anterior. No primeiro semestre, a taxa média situou-se em 7,1%, ante 6,7% no mesmo período de 2007.

Ambiente externo

56. O aumento da inflação permanece como pano de fundo no cenário internacional, adicionando incertezas ao ambiente em que predomina a desaceleração do crescimento econômico. Além da retomada das turbulências do setor financeiro, da apreensão com a solvência dos bancos e companhias hipotecárias, há preocupações sobre a possibilidade de contágio mais acentuado nos mercados emergentes. Os mercados de commodities, incluindo petróleo, permanecem sólidos em razão da forte demanda e da oferta pressionada.

57. As taxas de inflação vêm atingindo os mais altos patamares das últimas décadas em bases anuais e mensais, devido à alta dos preços dos alimentos e da energia, preocupando os bancos centrais diante da possibilidade de propagação dessas altas para salários e expectativas. O sentimento empresarial na maioria dos países continua sendo de cautela, enquanto as expectativas dos consumidores vêm se deteriorando. Os índices dos mercados acionários declinaram para bear market, levantando preocupações de que os choques gerados pela crise das hipotecas de alto risco podem levar a economia norte-americana para uma desaceleração mais acentuada, limitando o crescimento global.

58. A economia norte-americana continua enfrentando incertezas quanto à perspectiva dos mercados, da economia e da inflação. A liquidez das grandes financiadoras de hipotecas esteve sob observação, levando as autoridades federais a aprovarem um plano para ajudá-las. Segundo visão do Federal Reserve, há maior preocupação com a inflação do que com o crescimento da economia, embora ainda se observem riscos significativos de baixa do crescimento. O índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 1,1% em junho, frente a maio, na maior alta mensal desde junho de 1982.

59. No Japão e na Área do Euro, o crescimento econômico está desacelerando, principalmente devido aos efeitos dos elevados preços de energia e matérias-primas. Embora mantendo uma velocidade muito superior à média mundial, a economia chinesa também desacelerou no primeiro semestre deste ano, com o PIB aumentando 10,4% no primeiro semestre, ante 12,2% registrados em igual período de 2007. No segundo trimestre de 2008, o crescimento atingiu 10,1%, ante 10,6% no primeiro e 11,9% no mesmo período de 2007.

Comércio exterior e reservas internacionais

60. O saldo da balança comercial atingiu US$2,7 bilhões em junho, acumulando superávits de US$11,4 bilhões no ano e de US$30,8 bilhões em doze meses. No primeiro semestre, as exportações atingiram US$90,6 bilhões e as importações, US$79,3 bilhões, com expansões respectivas de 24,8% e de 51,8%, comparativamente ao mesmo período de 2007. A corrente de comércio atingiu o valor recorde de US$169,9 bilhões no primeiro semestre, acumulando US$325,3 bilhões em doze meses, também recorde na série histórica.

61. Em junho, as exportações atingiram US$18,6 bilhões, o que representou média diária de US$885,4 milhões, 35% superior à observada no mês correspondente de 2007. As importações registraram US$15,9 bilhões, ou média diária de US$756 milhões, 62,6% superior às de junho do ano anterior.

62. As reservas internacionais totalizaram US$200,8 bilhões em junho, com aumentos de US$2,9 bilhões no mês e de US$20,5 bilhões na comparação com o final do ano anterior.

Mercado monetário e operações de mercado aberto

63. Desde a reunião do Copom de junho, as taxas de juros futuros apresentaram elevação em todos os prazos. No cenário externo, o preço do petróleo atingiu níveis historicamente elevados e continuaram as preocupações com a saúde financeira de instituições bancárias nos Estados Unidos, que ocasionaram um aumento da aversão a risco. No âmbito interno, a persistência dos índices de inflação corrente em patamares elevados e a continuidade da deterioração das expectativas inflacionárias também contribuíram para a alta das taxas de juros. No período de 2 de junho a 21 de julho, as taxas de um, de três e de seis meses subiram, respectivamente, 0,58 p.p., 0,62 p.p. e 0,68 p.p.. As taxas para os prazos de um, dois e três anos se elevaram em 0,77 p.p., 0,82 p.p. e 0,75 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 8,66%, em 2 de junho, para 8,79%, em 21 de julho.

64. Em 27 de junho, o Banco Central realizou leilão de swap cambial reverso para a rolagem da posição líquida do mês de julho. Essa operação alcançou o montante equivalente a US$1,5 bilhão.

65. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, semanalmente, no período de 3 de junho a 21 de julho, operações compromissadas longas, tomando recursos por prazos de cinco e de sete meses. O saldo diário médio do estoque dessas operações alcançou R$72,8 bilhões, dos quais R$51,4 bilhões em operações de sete meses. No mesmo período, o Banco Central atuou em 39 oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo. Realizou, ainda, operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$37,0 bilhões. Além disso, em 5, 11, 18 e 25 de junho e 1° e 9 de julho, o Banco Central tomou recursos com prazos de 11 a 35 dias úteis, nos montantes de R$114,8 bilhões, R$9,0 bilhões, R$13,4 bilhões, R$9,0 bilhões, R$39,2 bilhões e R$37,7 bilhões, respectivamente. No período, o saldo diário médio para essas operações tomadoras de curto prazo foi de R$155,1 bilhões.

66. Entre 3 de junho e 21 de julho, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos leilões tradicionais somaram R$34,8 bilhões. A colocação de títulos de remuneração prefixada alcançou R$12,5 bilhões, sendo R$7,7 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2008, 2009 e 2010, e R$4,8 bilhões em Notas do Tesouro Nacional ? Série F (NTN-F) de vencimento em 2012, 2014 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$18,0 bilhões, com a colocação de títulos de vencimento em 2012 e 2014. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional ? Série B (NTN-B), foram vendidos títulos de vencimento em 2011, 2013, 2017, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$4,3 bilhões.

67. No mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN de vencimento em julho e outubro de 2009, conjugada com a compra de LTN de vencimento em julho e outubro de 2008, em um total de R$0,3 bilhão. As vendas de NTN-B liquidadas mediante a entrega de outros títulos somaram R$6,1 bilhões e envolveram títulos de vencimento em 2011, 2013, 2017, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou, também, leilões de venda de LFT de vencimento em 2012 e 2014, no montante de R$3,2 bilhões, aceitando como pagamento LFT de vencimento em 2008, e leilões de compra de LTN e de NTN-B, que alcançaram R$2,4 bilhões e R$31 milhões, respectivamente.

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