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A politização na administração pública e seus reflexos

BAHIA NOTÍCIAS – Francamente.

09/12/2008 07:01

Recentemente, temos observado inúmeros fatos que nos levam a questionar quanto aos efeitos da excessiva politização dos cargos da administração pública. Referimo-nos não apenas aos casos pontuais que hoje ocorrem na Bahia, mas principalmente ao incoveniente fenômeno que vem ocorrendo nas principais metrópoles brasileiras nos dias de hoje, quando governantes altamente comprometidos com a militância partidária e não com programas de governo, utilizam a máquina estatal tendo como principal objetivo o fortalecimento da agremiação da qual fazem parte. Esta questão aparece especialmente potencializada quando surge relacionada à participação de dirigentes e ex-dirigentes sindicais no governo, cujo grau de comprometimento com o serviço público é quase zero, seja por desconhecer o funcionamento da máquina administrativa, seja por não colocar o interesse público acima da simpatia partidária ou, por que não dizer, ideologia. A Secretaria da Fazenda do governo Wagner é um exemplo de como a ingerência política pode afetar os aspectos organizacionais de uma instituição. A influência sindical na Secretaria da Fazenda têm provocado fortes mudanças na estrutura administrativa fazendária, impondo em cargos chaves servidores de menor qualificação funcional, em detrimento aos próprios auditores fiscais, estes preteridos pelo governo e perseguidos pelo sindicato pelego, que assume publicamente em seu site o objetivo de extinguir a sua categoria, deslocando suas atribuições privativas para outra categoria, com o intuito de formar um novo quadro que possibilite o aparelhamento da máquina fazendária, mediante a unificação dos agentes de tributos e auditores fiscais sem concurso público. A medida apresentada no site do sindicato da categoria, com o pomposo título de Proposta de Reestruturação de Carreiras do Carreira do Fisco, nada mais é que um trem da alegria disfarçado, que busca, na prática, unificar todas as carreiras do grupo fisco, algo assim como transformar todos agentes de polícia em delegados ou mesmo todos os serventuários em juízes, mesmo que sem nível superior, habilitação específica ou concurso público, gerando um prejuízo aos cofres públicos de 100 milhões de reais por ano. O grau de alienação é tanto, que próprio secretário diz achar um absurdo que as funções de direção e assessoramento sejam privativas dos quadros técnicos da Sefaz, e que pretende efetuar mudanças em breve na legislação de pessoal, permitindo que pessoas sem quaisquer prerrogativas assumam as posições de comando em desrespeito, inclusive, ao sigilo fiscal. Na Secretaria da Fazenda, o clima de desorganização está instalado desde o pedido de demissão coletiva de diversos servidores inconformados com a proposta do Trem da Alegria, com servidores de nível médio dirigindo bacharéis com mais de 15 anos de casa, com a única finalidade de criarem paradigmas visando o reenquadramento (trem da alegria) funcional, ou procurando justificar a unificação de carreiras, mesmo que em prejuízo aos objetivos organizacionais. Enquanto isso, a sociedade ainda não dispõe de demonstrativos atualizados de arrecadação e despesas nos sites do governo, descumprindo, até mesmo, a promessa de transparência governamental e causando equívocos até mesmo no mais alto escalão.

Anna Terra – Salvador (BA)

FONTE: http://www.bahianoticias.com.br/noticias/francamente.html

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